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De problemas cardíacos a Alzheimer: 7 razões para cuidar da saúde bucal que vão além dos dentes

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De problemas cardíacos a Alzheimer: 7 razões para cuidar da saúde bucal que vão além dos dentes

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Quando falamos sobre a importância de cuidarmos da saúde bucal, quase que instantaneamente pensamos nos dentes e nas doenças mais comuns: cáries, gengivite, periodontite e perda dentária. Mas a saúde bucal vai muito além dos dentes e, se for negligenciada, pode ter outros impactos na saúde – seja causando outras doenças, seja potencializando problemas pré-existentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), na maioria das vezes as doenças orais são evitáveis, mas, ainda assim, afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

Abaixo, elencamos sete razões para você cuidar da sua boca que vão muito além dos dentes.

Se for negligenciada, saúde bucal pode ter impacto negativo no funcionamento do resto do corpo Foto: DC Studio/Adobe Stock

1- Endocardite

A cavidade bucal é muito mais complexa do que imaginamos. Na nossa boca vivem mais de 700 espécies de bactérias, além de fungos e vírus. Quando não higienizamos a região corretamente, ocorrem alterações nessa microbiota, o que pode impactar não somente na saúde da boca, mas também na do coração – e a endocardite bacteriana é uma das possíveis consequências.

Trata-se de uma infecção no endotélio, nas estruturas internas dos vasos, que ocorre quando bactérias que circulam pela corrente sanguínea se alojam no músculo cardíaco. Isso pode acontecer devido a bactérias presentes em infecções endodônticas e também após procedimentos odontológicos. A doença é grave e pode acometer pessoas com coração previamente saudável, mas é mais comum em pacientes com problemas cardíacos, especialmente nas válvulas.

“A maior causa de endocardite bacteriana é uma infecção odontogênica. Praticamente todo paciente que tem problemas no coração precisa tomar antibiótico antes de determinados procedimentos odontológicos porque a cavidade bucal é habitada por milhares de bactérias e tem um sangramento frequente. Esse sangramento se torna uma porta de entrada dessas bactérias”, explica o dentista Sérgio Kignel, doutor em Diagnóstico Bucal e professor titular da disciplina de Semiologia do Centro Universitário Herminio Ometto (UNIARARAS).

2- Outras doenças cardiovasculares

Não é apenas a endocardite que pode acontecer em decorrência de bactérias que vivem na boca e caem na circulação sanguínea. Uma saúde bucal problemática pode gerar gengivite e periodontite – que são condições crônicas causadas pelo acúmulo de placa bacteriana na boca. Essas bactérias e toxinas bacterianas podem causar inflamações à distância, desencadeando ou agravando outras inflamações em todo o corpo. Por isso, constituem um importante fator de risco para problemas cardíacos, especialmente aterosclerose, arritmias, hipertensão, entre outros.

3- Diabetes

A relação entre diabetes e saúde bucal é muito próxima e, por isso, pessoas com diabetes precisam de cuidados redobrados, com visitas regulares ao dentista. A maior disponibilidade de glicose no sangue aumenta a inflamação ao redor dos dentes, levando a um maior sangramento durante a escovação e a alimentação. Por sua vez, a inflamação e as bactérias presentes na doença gengival entram na circulação sanguínea e dificultam o controle do diabetes. Por isso, uma pessoa com diabetes tem mais probabilidade de desenvolver gengivite e periodontite.

“As duas doenças se afetam mutuamente. O diabetes interfere na severidade, na progressão e na prevalência da periodontite. E a periodontite atrapalha o controle glicêmico, piorando o diabetes. Felizmente, o contrário também é verdade. Se a pessoa cuidar do diabetes, tem menos risco de ter doença periodontal. E se cuidar da doença periodontal, tem mais chance de ter o diabetes sob controle”, explica a cirurgiã-dentista Nidia Castro dos Santos, doutora em periodontia e professora do curso de Odontologia da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, em São Paulo.

4- Pneumonia

Os micro-organismos presentes na boca podem chegar aos pulmões e provocar uma pneumonia, além de outras doenças respiratórias. Esse risco é aumentado em pacientes hospitalizados, idosos em condição vulnerável (como abrigos) e entre as pessoas em geral que não fazem uma adequada higiene bucal. “É mais comum em pacientes internados em UTIs, em razão do risco de aspirar um micro-organismo e ele se alojar nos pulmões. Por isso é tão importante a presença do dentista em UTIs para cuidar da saúde bucal desses pacientes”, diz o professor Kignel.

5- Complicações na gravidez e no parto

Diversos estudos têm demonstrado a relação de risco entre as doenças bucais, principalmente a periodontite, e as complicações gestacionais, entre elas o risco de parto prematuro, nascimento de recém-nascido de baixo peso e pré-eclâmpsia. A gravidez por si só pode deixar as mulheres mais propensas ao surgimento de cáries e periodontite – dados do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos apontam que entre 60% e 75% das mulheres grávidas têm gengivite, que é um estágio anterior à periodontite. Como a gengivite não costuma doer, muitas vezes a mulher só vai tratar quando já avançou para a doença periodontal.

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Segundo a professora Nidia, o que explica esse aumento de risco é o fato de a doença periodontal ser associada a bactérias, o que poderia provocar aumento de citocinas inflamatórias no sangue materno por disseminação de bactérias patogênicas. “Essas bactérias, que são patógenos, conseguem invadir os nossos tecidos, se esconder das células de defesa e podem de fato causar doença à distância. Na gravidez, esse risco aumenta e essas bactérias já foram encontradas na placenta, no líquido amniótico. Isso leva ao aumento da contração intrauterina e ao parto prematuro”, explica.

5- Câncer

Vários tipos de câncer têm sido associados a doenças gengivais, especialmente os cânceres de boca e do trato gastrointestinal. O câncer de cavidade oral é um dos mais incidentes na população brasileira e inclui gengiva, língua, lábio, soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), palato duro (céu da boca) e a área atrás dos dentes do siso (retromolar). A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que 26 mil brasileiros receberão o diagnóstico de um câncer na cavidade oral em 2024.

“Recentemente, um estudo apontou que uma bactéria muito comum presente na boca está associada ao câncer colorretal. A gente ainda não sabe como ela sai da boca e chega até à porção final do intestino”, conta Nidia. De acordo com a dentista, a bactéria ainda foi ligada a uma maior malignidade desse tipo de câncer e pior prognóstico, além de acompanhar o tumor na metástase no fígado.

“Trata-se de uma bactéria sempre presente na boca, mas em quantidade muito maior quando o paciente tem periodontite”, completa a especialista.

6- Artrite reumatoide

Alguns estudos têm demonstrado que pacientes com artrite reumatoide apresentam uma incidência maior de bactérias bucais na região gengival, o que aumenta o risco de problemas na boca. Isso porque, por ser uma região muito vascularizada, as bactérias podem causar uma inflamação gengival crônica, que vai impactar no corpo todo.

“Como há muitas citocinas e muitos marcadores inflamatórios circulando por causa da doença bucal, isso se espalha pelo corpo e chega nas articulações, potencializando ainda mais inflamação desses tecidos, piorando o quadro de artrite reumatoide”, explica Nidia.

7- Doença de Alzheimer e demência

A bactéria Porphyromonas gingivalis, uma das causadoras da doença periodontal, está associada aos casos de doenças neurodegenerativas – entre elas Alzheimer e Parkinson. “Essas bactérias estão aumentadas na periodontite e já foram encontradas no cérebro de pacientes com doenças neurodegenerativas após a realização de autópsias. E não deveria existir bactérias no cérebro. Isso significa que elas migraram da boca e conseguiram alcançar o cérebro, gerando inflamação e destruição tecidual”, diz Nidia.

Além disso, à medida que a doença de Alzheimer piora, a saúde oral também tende a se agravar. Uma pesquisa publicada no periódico da Sociedade Americana de Geriatria apontou que a má saúde bucal, caracterizada pela presença de periodontite, e a perda dentária, estão associadas ao aumento no risco de declínio cognitivo e demência. Isso porque, segundo os autores, as bactérias da boca podem desempenhar um papel na inflamação do cérebro.

“A cavidade bucal, sem dúvida nenhuma, é o espelho de inúmeras patologias. O paciente precisa ter consciência de que a boca não é só para ficar bonita: ela tem que ser saudável. E uma boca saudável é aquela com a maior quantidade de dentes possível, que não tem sangramento, que não tem halitose, que permite a pessoa se alimentar corretamente. A saúde bucal acaba comprometendo a saúde do corpo inteiro”, ressalta Kignel.

Para prevenir os problemas bucais, não tem segredo: o principal é a fazer uma boa escovação e usar regularmente o fio dental para limpar entre os dentes. Além disso, é preciso fazer visitas regulares ao dentista porque ele é o profissional que consegue identificar os primeiros sinais de inflamação e evitar que uma gengivite se torne uma periodontite. “A recomendação é fazer visitas semestrais ao dentista e, em casos específicos, como pacientes com diabetes, a frequência precisa ser maior”, finaliza Nidia.

Fonte: Externa

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