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Xixi na cama: é preciso tratar, e não punir; entenda o problema, as causas e as formas de controle

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Xixi na cama: é preciso tratar, e não punir; entenda o problema, as causas e as formas de controle

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É natural que os pais se preocupem quando seus filhos fazem xixi na cama. Quando isso acontece, é aquele transtorno: tem que trocar o lençol, virar o colchão do avesso, mudar a roupa da criança, além de pensar sobre como lidar com a situação. Nesse aspecto, é preciso ter em mente que não faz sentido punir. Afinal, esse tipo de acontecimento não é culpa do pequeno, mas sim uma condição urológica que precisa de tratamento.

Chamado pelos médicos de enurese noturna, esse distúrbio afeta 10% das crianças e dos adolescentes entre 5 e 17 anos. Com o objetivo de conscientizar pais e cuidadores sobre a condição, entre 3 e 9 de junho é celebrada a Semana Mundial do Xixi na Cama (World Bedwetting Week). Neste ano, o tema é: “Não puna, acolha”. Abaixo, entenda o que é o problema e quais medidas devem ser tomadas para controlá-lo.

Xixi na cama não é motivo para bronca, já que criança não consegue controlar esse comportamento Foto: ltyuan/Adobe Stock

O que é enurese noturna?

A enurese é a eliminação involuntária de urina durante o sono em crianças com idade igual ou superior a 5 anos. Ela pode ser classificada em dois tipos: a mono e a não-monossintomática. Na primeira, a urina na cama é o único sintoma e esses eventos só acontecem durante a noite. Na segunda, o pequeno também enfrenta questões ao longo do dia, como urgência para fazer xixi, escapes de urina na roupa e aumento da frequência de ias ao banheiro para urinar. Os métodos de diagnóstico e o tratamento para cada quadro são diferentes.

Essa perda involuntária de urina também pode ser primária ou secundária, segundo o urologista Ubirajara Barroso Jr., secretário-geral da Sociedade Internacional de Continência Infantil (ICCS – sigla em inglês), uma das organizadoras da campanha. “A primária é quando a criança sempre urinou na cama, sem grandes intervalos com o leito seco. Já a secundária é quando a criança apresentou controle noturno por pelo menos seis meses e voltou a perder urina à noite”, diferencia.

O médico destaca que a enurese secundária muitas vezes está associada a alterações emocionais e à presença de eventos estressantes.

Quais as causas?

A genética é um fator importante. Mais de 70% dos pequenos que têm escapes noturnos são filhos de pai ou mãe que também passavam por essa situação, segundo Barroso Jr.

Ainda de acordo com o médico, crianças com enurese têm dificuldade para acordar – mesmo quando estão dormindo com a bexiga cheia. Isso ocorre devido a um problema na ativação da área do cérebro responsável por nos despertar, chamada locus coeruleus. “Como essas crianças não conseguem acordar para urinar, urinam na cama”, explica o urologista.

Outro fator que contribui bastante para essas ocorrências é a pouca produção do hormônio vasopressina, também chamado de antidiurético. Essa substância age nos rins, reabsorvendo água para evitar desidratação, e reduzindo a formação de urina à noite. Dessa forma, quando o antidiurético é produzido em baixa quantidade, há uma maior formação de urina enquanto a criança dorme. De acordo com Barroso Jr., esse distúrbio está presente em cerca de 50% das crianças com enurese noturna.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por meio de observação da história clínica (anamnese), ou seja, em uma conversa detalhada com o paciente e os pais, o profissional de saúde busca obter informações e identificar os sintomas.

Barroso Jr. explica que, nesse contexto, uma importante pergunta feita pelos médicos é sobre a presença de sintomas urinários durante o dia. “Quando eles não estão presentes, ou seja, quando a enurese é o único sintoma, não há necessidade de exames específicos. Quando há sintomas diurnos, deve-se realizar exames como ultrassonografia e urofluxometria para avaliação do jato urinário”, descreve.

O que os pais não devem fazer

A enurese costuma se resolver espontaneamente, por isso, antes de pensar em tratamentos, Barroso Jr. afirma que as principais medidas para lidar com a condição estão ligadas ao comportamento dos pais e cuidadores. Por isso, ele indica, em primeiro lugar, que a família se atente ao que não deve ser feito.

Primeiramente, evite punições, afinal, as crianças não urinam na cama por preguiça ou desleixo. É necessário ainda evitar acordar as crianças várias vezes à noite para urinar, pois isso não acelera a resolução do quadro. Na verdade, só irá cansar os pais e as crianças.

Além disso, Barroso Jr. não recomenda que sejam colocadas fraldas à noite nos pequenos que estão em tratamento, pois esse ato faz com que a enurese persista. É importante ter em mente que é normal urinar na cama antes dos 5 anos. Por isso, o tratamento só é possível a partir dessa idade, mas recomendável mesmo a partir dos 6 a 7 anos.

Medidas comportamentais

Além das recomendações acima, algumas mudanças de hábitos podem ajudar a controlar a enurese, como:

  • Beber líquidos durante o dia, para evitar a ingestão antes de dormir;
  • Jantar pelo menos duas horas antes de ir para a cama, de modo que o líquido ingerido na refeição seja urinado antes de a criança dormir;
  • Preparar a última refeição do dia com pouco sal e sem cafeína para reduzir a produção de urina à noite;
  • Restringir a ingestão de líquidos após o jantar;
  • Urinar antes de dormir.

De acordo com Barroso Jr., essas ações já são suficientes para controlar 18% dos casos e também devem ser realizadas durante outros tipos de tratamento.

Tratamentos

Quando há a necessidade de terapias mais específicas, os caminhos são a medicação e o uso de um alarme de enurese. A medicação é a desmopressina, um composto semelhante ao hormônio antidiurético cuja produção está reduzida durante a noite. O remédio leva a uma menor produção de urina enquanto a criança dorme, ajudando o controle noturno de urina.

Já o alarme de enurese é um aparelho que conta com um sensor de umidade e tem o intuito de fazer o cuidador da criança acordar para levá-la ao banheiro para urinar. Esse ato faz com que pouco a pouco ela vá aprendendo a controlar a urina enquanto dorme. Desenvolvido por Barroso Jr. em parceria com o urologista Andrew Kirsch, chefe do serviço de urologia da Emory University, em Atlanta, o alarme de enurese é formado pelo sensor de umidade, um circuito sonoro e uma estimulação para a contração da musculatura do assoalho pélvico. É uma vestimenta que a criança usa enquanto dorme. Quando o sensor de umidade é ativado, além de disparar um alarme (enviado para o celular, reduzindo o ruído), ativa um estímulo para a contração do esfíncter externo, ajudando a conter a urina.

Fonte: Externa

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