BRAIP ads_banner

Intolerância x alergia alimentar: quais as diferenças?

CasaNotícias

Intolerância x alergia alimentar: quais as diferenças?

Fiocruz alerta para risco de doenças infecciosas e acidentes com animais peçonhentos no RS
Percentual de gordura corporal: para que serve essa medida? Qual o jeito mais correto de conferi-la?
Crianças brasileiras estão mais altas e obesas, aponta estudo; entenda riscos

Apesar dos sintomas semelhantes, intolerância e alergia alimentar são condições completamente diferentes. Enquanto a alergia é uma resposta imunológica à alguma proteína, a intolerância é a deficiência de uma enzima que digere um carboidrato específico. “Um termo que a gente acaba ouvindo com certa frequência é ‘alergia à lactose’. Mas não dá para ter alergia à lactose, porque a alergia é conceitualmente relacionada uma proteína”, explica Renata Cocco, alergista pediátrica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A lactose, por sua vez, é um carboidrato – conhecido como o açúcar do leite.

A lactose é uma causa comum de intolerância alimentar. Nesse caso, a falta da enzima apropriada faz com que uma pessoa não consiga digerir esse açúcar, que chega intacto ao intestino. Lá, para ser digerido, ele é fermentado por bactérias, o que causa a produção de gases e gera o desconforto sintomático. Embora os sinais variem de pessoa a pessoa, a intolerância geralmente causa dores abdominais, sensação de estufamento e urgência para evacuar.

Nas alergias alimentares, esses são apenas alguns dos sintomas possíveis. Além dos desconfortos intestinais, que em bebês também pode incluir fezes com sangue ou muco, a reação alérgica a um alimento pode provocar vermelhidão na pele, coceira, feridas, inchaço dos lábios e da língua, vômitos e dificuldade para respirar. Em casos graves, a reação pode levar à anafilaxia, que oferece risco de morte.

Dor abdominal é um sintoma que pode estar presente tanto na intolerância como na alergia alimentar Foto: ipopba/Adobe Stock

Isso acontece porque o organismo de uma pessoa alérgica enxerga a proteína de certo alimento como um agente agressor. Dessa forma, lida com ela da mesma forma que combate vírus e bactérias. Ou seja, diferentemente da intolerância, há um processo imunológico envolvido na alergia alimentar. Por isso, cada condição exige cuidados distintos – e um diagnóstico seguro é o primeiro passo para isso acontecer.

Como identificar

Caso exista algum problema relacionado à ingestão de alimentos, a orientação de Cocco é procurar um especialista para investigar a origem. “A investigação do médico é fundamental para saber se existe a indicação de alguns testes laboratoriais”, explica. Ela ressalta que não há necessidade de testagem caso não exista suspeita de uma das condições e alerta para a existência de exames que não são efetivos para esse tipo de diagnóstico.

Um exemplo é o teste de imunoglobulina G (IgG), que não oferece indicadores úteis para a identificar um quadro de alergia. Contudo, é um exame que pode ser realizado por conta própria, abrindo espaço para um autodiagnóstico equivocado – e uma eventual retirada de alimentos importantes do dia a dia, representando riscos à saúde.

No caso das alergias alimentares, o profissional apto a fazer o diagnóstico é o alergista, enquanto o gastroenterologista é o responsável pelos diagnósticos de intolerância alimentar. A partir do histórico de reações do paciente, profissionais dessas especialidades podem indicar a necessidade de exames clínicos, como exames de sangue e de fezes, testes de contato e o teste de ar expirado, que analisa a quantidade de hidrogênio na respiração para identificar problemas gastrointestinais.

Em alguns casos de alergia e de intolerância, a orientação é realizar o teste de provocação oral. Ele consiste na oferta do alimento em doses crescentes, sempre sob supervisão médica e em ambiente apropriado. Dessa forma, caso o paciente tenha algum tipo de reação, será prontamente atendido.

Intolerância x alergia: cuidados

Em caso de resultado positivo, o exame confirma o diagnóstico e a necessidade dos cuidados. Em casos negativos, permite a introdução do alimento, melhorando muitas vezes a qualidade de vida do paciente e dos seus familiares. Isso porque ambas as condições fazem com que a pessoa conviva com algumas restrições alimentares.

Entre as intolerâncias alimentares, a da lactose está entre as mais comuns. Nesses casos, é possível prevenir novos sintomas reduzindo o consumo de alimentos com esse carboidrato, como laticínios. Também existe a possibilidade de utilizar suplementos de enzimas que ajudam a digeri-lo, mas essa alternativa não deve substituir a restrição alimentar.

Vale mencionar ainda a doença celíaca, uma condição autoimune representada pela intolerância ao glúten, proteína presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia – e também em produtos feitos com esses ingredientes. De acordo com o Ministério da Saúde, o quadro faz com que o organismo tenha dificuldade de absorver os nutrientes das refeições. O indivíduo pode ter diarreia, prisão de ventre, dores abdominais, inchaço na barriga, entre outros sintomas. Aqui, após o diagnóstico correto, é preciso excluir itens com glúten da rotina.

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

No caso de alergias alimentares, os alimentos que mais causam problemas por sua ingestão no Brasil são:

  • Leite
  • Ovo
  • Trigo
  • Oleaginosas, como castanhas e amendoim
  • Frutos do mar

O único tratamento 100% efetivo é a exclusão do alergênico da rotina, o que inclui não somente os alimentos, como também outros produtos. Por exemplo, os óleos feitos à base de extrato de amêndoas, para quem tem alergia às castanhas.

Existe prevenção?

Por enquanto, não há uma estratégia clara de prevenção às alergias alimentares, mas alguns cuidados podem contribuir nesse processo, como os listados abaixo.

  • Aleitamento materno exclusivo até o bebê completar seis meses;
  • Alimentação saudável, com produtos in natura e a menor quantidade possível de ultraprocessados, que possuem aditivos como corantes e emulsificantes;
  • Não adiar a introdução de alimentos sólidos na dieta do bebê;
  • Manter o contato com a natureza para uma microbiota intestinal saudável.

Fonte: Externa

BRAIP ads_banner